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A Viagem de Chihiro: O Pesadelo Capitalista e o Roubo da Identidade

Quando assistimos A Viagem de Chihiro na infância, vemos uma aventura mágica sobre uma garota tentando salvar os pais que viraram porcos. É lindo, é assustador e é visualmente impecável.

Mas ao rever o filme agora, com os olhos da vida adulta, a “magia” dá lugar a algo muito mais perturbador. A obra-prima de Hayao Miyazaki não é apenas um conto de fadas; é uma das críticas mais ferozes já feitas ao capitalismo moderno, à cultura de trabalho exaustiva e à forma como vendemos nossa alma em troca de sobrevivência.

Bem-vindos ao mundo de Yubaba, onde se você não trabalha, você deixa de existir.

Tudo começa com uma cena que deveria ser um alerta para todos nós. Os pais de Chihiro encontram um banquete abandonado e começam a comer freneticamente, acreditando que “têm dinheiro para pagar depois”.

Eles não pediram permissão. Eles não respeitaram o local. Eles apenas consumiram. Essa é a primeira crítica de Miyazaki: a ganância cega da sociedade de consumo. Eles se tornam porcos não por magia, mas porque já agiam como tal — consumindo sem pensar nas consequências, confiando apenas no poder do cartão de crédito.

Para sobreviver nesse mundo espiritual (que reflete o nosso mundo corporativo), Chihiro precisa pedir um emprego a Yubaba. E o contrato tem um preço alto: o seu nome. Yubaba literalmente arranca os caracteres do nome “Chihiro” e a rebatiza de “Sen”.

“Haku: Yubaba controla você roubando seu nome. Se você esquecer seu nome verdadeiro, nunca mais encontrará o caminho de casa.”

Isso soa familiar? Quantas vezes não nos tornamos apenas o nosso cargo? “O Gerente”, “O Estagiário”, “O Vendedor”. No mundo corporativo desenhado por Miyazaki, sua identidade pessoal é irrelevante; o que importa é a sua função na engrenagem. Se você esquece quem você é fora do trabalho, você pertence à empresa para sempre.

Se Yubaba representa o patrão explorador, o Sem Rosto (Kaonashi) representa a depressão do consumidor moderno. Ele é uma criatura solitária que acredita que pode comprar afeto. Ele oferece ouro para todos na casa de banhos. Os funcionários, cegos pela ganância, o bajulam e o alimentam. Mas quanto mais o Sem Rosto consome, maior e mais monstruoso ele fica.

Ele não tem voz própria, apenas imita aqueles que devora. É a metáfora perfeita para quem tenta preencher o vazio existencial comprando coisas ou comprando a atenção das pessoas. No fim, o ouro vira lama, e a única coisa que realmente o cura não é o luxo, mas a simplicidade e a atenção genuína de Chihiro.

Miyazaki não é contra o trabalho. Pelo contrário, Chihiro amadurece através do trabalho. Ela deixa de ser uma criança mimada e descobre sua força interior limpando banheiras e enfrentando desafios.

A crítica não é ao esforço, mas à alienação. O problema é trabalhar esquecendo por que se trabalha. Haku esqueceu seu nome e virou um servo. Chihiro, por outro lado, trabalha com um propósito: salvar quem ela ama e voltar para casa.

Essa é a lição final de A Viagem de Chihiro. O mundo vai tentar comprar seu tempo, roubar seu nome e te oferecer ouro falso. A única forma de não virar um porco ou um monstro sem rosto é lembrar, todos os dias, de quem você realmente é.

A Viagem de Chihiro nos ensina que, às vezes, precisamos olhar para o passado para não nos perdermos no futuro. Se você é fã dessa obra de arte, escolhemos três itens que capturam a alma desse universo para o seu dia a dia.

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  2. Vista a Magia: Que tal carregar a proteção do Dragão Haku e do Sem Rosto com você? Essa Camiseta A Viagem de Chihiro tem uma estampa artística incrível em preto e branco que combina com qualquer estilo.
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E você? Sente que o mercado de trabalho tenta roubar seu nome, ou você consegue manter sua identidade intacta como a Chihiro? Deixe sua reflexão nos comentários!

Capitão Ed

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e apaixonado por cultura Otaku. Aqui, uso a lógica para decodificar as mensagens ocultas, a filosofia e o simbolismo dos animes. Acredito que toda obra tem um código a ser desvendado.

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