No momento, você está visualizando Cowboy Bebop e a Prisão do Passado

Cowboy Bebop e a Prisão do Passado

Em 2071, a humanidade conquistou o espaço, mas perdeu o chão. Cowboy Bebop nos engana no começo: parece uma aventura divertida sobre caçadores de recompensa espaciais ao som de Jazz frenético. Mas basta assistir a alguns episódios para perceber que a nave Bebop não é um veículo, é um refúgio para almas quebradas.

Shinichiro Watanabe criou uma obra-prima que não fala sobre heróis salvando o universo, mas sobre pessoas comuns tentando salvar a si mesmas de seus próprios fantasmas. Não é um anime sobre ir para onde nenhum homem jamais esteve, é sobre não conseguir sair de onde você já foi. Num universo infinito onde se viaja para Marte em horas, a distância mais longa continua sendo aquela entre quem fomos e quem somos agora.

Spike Spiegel, o protagonista, diz uma das frases mais tristes da história da animação: “Eu tenho um olho falso… um vê o passado e o outro vê o presente”. Essa não é apenas uma característica física, é a condenação dele. Spike vive em um “sonho” porque metade da sua mente nunca saiu daquele dia fatídico com a Julia.

Muitos de nós vivemos como Spike: fisicamente estamos no trabalho, na faculdade ou no bar com amigos, mas nossa mente continua presa em uma memória, em um “e se…”, replayando eternamente um momento que já morreu. Viver assim não é viver, é apenas assistir a um sonho do qual não conseguimos acordar. Spike nos ensina que a nostalgia é uma droga perigosa. Ela anestesia a dor do presente e nos convence de que o passado era perfeito simplesmente porque já acabou.

Mas não é só o Spike que vive de passado. Jet Black, o “pai” da tripulação, cuida de bonsais obsessivamente. Aquelas árvores pequenas e controladas são a única coisa que ele consegue dominar, já que não conseguiu controlar a traição que sofreu na polícia e a perda do seu braço. A calma dele ao podar os galhos é apenas uma máscara para um homem que perdeu o controle da própria vida e tenta desesperadamente manter a ordem dentro da nave.

Faye Valentine é o oposto: ela não tem passado. Acordou de um congelamento criogênico sem memórias e acumula dívidas e vícios em jogos apenas para sentir que “existe” no presente. Ela foge antes de ser abandonada e ataca antes de ser ferida.

Jet e Faye formam uma família disfuncional porque compartilham a mesma dor: a solidão. Cowboy Bebop nos ensina que a solidão não é estar sozinho numa sala, é ser incapaz de compartilhar o peso que carregamos. A Bebop é, no fim das contas, uma família de espinhos.

A frase final que aparece na tela preta, “You’re Gonna Carry That Weight” (Você vai carregar esse peso), não é uma ameaça. É um fato. Todos nós carregamos o peso das nossas escolhas, dos amores perdidos e dos erros. A questão não é como se livrar do peso, mas como ficar forte o suficiente para caminhar com ele. Fugir deixa a alma leve, mas vazia. Aceitar a dor do passado não é fraqueza, é o que nos dá gravidade suficiente para mantermos os pés no chão.

Para lembrar todos os dias que esse peso faz parte da jornada, selecionamos companhias para a sua viagem:

  1. A Dose de Ânimo: Ter a Caneca Cowboy Bebop na mesa é transformar seu café matinal em combustível para a caçada, tudo ao estilo inconfundível da nave Bebop.
  2. Companhia de Elite: Se você é um colecionador que não poupa despesas, ter uma Funko Pop Faye Valentine ou da Edward on Scooter na estante é a companhia perfeita para essas viagens solitárias pelo espaço (ou pelo quarto).

E você? Qual peso você carrega que te impede de ver o presente? Deixe sua opinião nos comentários! See you space cowboy…

Capitão Ed

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e apaixonado por cultura Otaku. Aqui, uso a lógica para decodificar as mensagens ocultas, a filosofia e o simbolismo dos animes. Acredito que toda obra tem um código a ser desvendado.

Deixe um comentário