Esqueça o protagonista clássico que sonha em ser o “Rei dos Piratas” ou o “Salvador do Universo”. Em Chainsaw Man, somos apresentados a Denji, um jovem que vive na miséria mais absoluta, tendo vendido um rim, um olho e até um testículo apenas para pagar as dívidas de um pai ausente. O sonho máximo da sua vida? Comer um pão com geleia e dormir numa cama que não seja o chão frio.
À primeira vista, o anime pode parecer apenas um espetáculo caótico de ultraviolência, demônios bizarros e humor ácido. Mas não se deixe enganar pelo barulho da motosserra. Sob as camadas de sangue e vísceras, o autor Tatsuki Fujimoto esconde uma história dolorosamente real sobre a desumanização causada pela pobreza extrema e a busca desesperada de um garoto que não quer ser um herói; ele só quer, pela primeira vez na vida, se sentir uma pessoa.

Muitos espectadores criticam Denji por suas motivações aparentemente “fúteis” ou “básicas” (como sua obsessão por comida ou por tocar em peitos). Essa crítica ignora um ponto fundamental da psicologia humana: a Pirâmide de Maslow. Você não pode sonhar com conceitos abstratos como “Honra” ou “Paz Mundial” quando não sabe se vai comer amanhã.
Chainsaw Man nos lembra brutalmente que a moralidade elevada é um luxo de quem está com a barriga cheia. Denji passou a vida na base da pirâmide, lutando pela sobrevivência fisiológica. Sua jornada não é a de um guerreiro em busca de glória, mas a de uma criança negligenciada descobrindo, aos poucos e de forma desajeitada, que ela tem o direito de desejar coisas.

Se Denji é a representação do caos, da sujeira e do instinto puro, Makima é a personificação da Ordem fria e do Controle absoluto. A dinâmica entre os dois é o pilar central da obra e serve como um estudo aterrorizante sobre relacionamentos abusivos e manipulação.
Makima não subjuga Denji com força bruta inicial. Ela o captura oferecendo exatamente o que ele mais desesperadamente precisava: dignidade básica. Um banho, um casaco, um café da manhã. Mas esse “afeto” vem com um contrato implícito: a obediência cega. “Eu gosto de cachorros porque eles obedecem”, ela diz. A obra nos força a perguntar: até que ponto estamos dispostos a entregar nossa liberdade em troca de conforto e da ilusão de sermos amados?.
Entre demônios feitos de armas de fogo e medos primordiais, o monstro mais assustador de Chainsaw Man talvez seja a solidão humana. A obra funciona como um grito punk: é barulhenta, suja e agressiva na superfície, mas possui um coração pulsante que implora por conexão genuína.
Denji, em toda a sua simplicidade e caos, nos ensina uma lição valiosa para os tempos modernos: às vezes, o maior ato de heroísmo possível não é derrotar o vilão final, mas encontrar forças para continuar vivendo em um mundo absurdo, buscando beleza nas pequenas coisas — como um simples café da manhã com amigos.
Se você quer sentir a energia bruta dessa obra na sua estante (ou abraçar o caos como o Denji), aqui estão os itens essenciais:
- O Começo do Caos: O Mangá Chainsaw Man Volume 1 é o ponto de partida obrigatório. O traço sujo e cinético do Fujimoto é algo que só o papel consegue transmitir com perfeição.
- A Energia Pura: Ter uma Action Figure Chainsaw Man na estante é a forma mais visceral de decorar o ambiente. Procure as da linha “Vibration Stars” que têm poses de ação incríveis.
- O Lado Fofo: Para quem prefere o lado mais carismático, um Funko Pop Denji é o lembrete diário de que, no fim das contas, sonhos simples valem a pena.

E para você? Qual é o seu “pão com geleia”? Aquele sonho simples que te faz levantar da cama todo dia? Compartilhe com a tripulação nos comentários!
