No momento, você está visualizando Neon Genesis Evangelion e o Dilema do Ouriço: Por que temos tanto medo de amar?

Neon Genesis Evangelion e o Dilema do Ouriço: Por que temos tanto medo de amar?

Quem começa a assistir Neon Genesis Evangelion esperando apenas robôs gigantes batendo em monstros sai da experiência com uma crise existencial. Lançado em 1995, o anime é o diário de depressão do diretor Hideaki Anno disfarçado de ficção científica.

Tóquio-3 está sendo atacada por “Anjos”, e a única defesa são os EVAs, pilotados por adolescentes de 14 anos. Mas a verdadeira batalha não acontece na cidade, acontece dentro da cabeça dos pilotos. Evangelion não é sobre salvar o mundo do apocalipse, é sobre a tarefa muito mais difícil de salvar a si mesmo da própria mente.

Muitos criticam o protagonista, Shinji Ikari, chamando-o de covarde ou chorão. Mas Shinji é, talvez, o personagem mais realista da história dos animes. Ele representa o conceito filosófico do “Dilema do Ouriço” (Schopenhauer): ouriços querem se juntar para se aquecer no frio, mas se chegarem muito perto, seus espinhos machucam uns aos outros.

Shinji quer desesperadamente ser amado e aprovado pelo pai, mas morre de medo de se aproximar e ser rejeitado novamente. Então, ele foge. Ele coloca fones de ouvido não para ouvir música, mas para silenciar o mundo lá fora. A covardia de Shinji é o nosso próprio medo espelhado na tela: o terror de descobrir que, talvez, ninguém precise de nós.

Se Shinji foge, as outras pilotos usam máscaras diferentes para lidar com a mesma dor. Asuka Langley parece confiante e agressiva, mas seu orgulho é uma barreira de vidro: ela ataca os outros antes que possam atacá-la, buscando validação através da competência porque, no fundo, sente-se descartável. Rei Ayanami vai para o extremo oposto: a apatia total. Ela se anula como humana para não sentir dor.

São três lados da mesma moeda traumática. Enquanto Shinji se esconde, Asuka grita e Rei silencia. Todos estão pedindo socorro, mas ninguém consegue ouvir o grito do outro por causa do barulho dos seus próprios demônios.

Ao final, Evangelion nos entrega uma mensagem brutal, porém necessária. O “Projeto de Instrumentalidade Humana” surge como uma promessa sedutora: fundir todas as mentes, eliminando as barreiras entre as pessoas e extinguindo a solidão. Mas o anime nos lembra de um preço terrível: para parar de sentir dor, teríamos que deixar de existir como indivíduos

A lição final de Shinji não é sobre pilotar um robô, mas sobre a coragem de ser “um”. Viver separado dos outros dói. Causa mal-entendidos, rejeição e aquele vazio no peito nas noites de domingo. Mas essa separação é a única condição que permite que o amor exista. O amor real exige o “eu” e o “você”, exige o risco e a distância.

Aceitar que vamos nos machucar ao abraçar alguém não é uma falha de design da humanidade, é o preço que pagamos para não morrer de frio. A felicidade não é a ausência de dor, é a vontade de continuar tentando se conectar, apesar dos espinhos.

“Qualquer lugar pode ser o paraíso, desde que você tenha a vontade de viver. Afinal, você está vivo, então sempre terá a chance de ser feliz.”Yui Ikari

Essa jornada de autoaceitação merece um lugar de honra na sua estante (nem que seja para lembrar que você não está sozinho no divã).

  1. A Obra Definitiva: A Evangelion Collector’s Edition 1 é a forma suprema de revisitar a obra. Com formato grande, acabamento de luxo e uma arte que salta aos olhos, é um item de respeito.
  2. O Guardião: Para quem quer proteção contra os “Anjos” do dia a dia, ter uma Action Figure Eva 01 na mesa impõe respeito e lembra da força necessária para pilotar a própria vida.
  3. Combustível Diário: Tomar seu café numa Caneca Evangelion (de preferência da NERV) é o lembrete matinal de que, apesar dos espinhos, vale a pena continuar tentando.

E se você consegue carregar esse peso e ainda assim escolher viver… Parabéns.

O final da jornada não é a perfeição, é a aceitação.

Capitão Ed

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e apaixonado por cultura Otaku. Aqui, uso a lógica para decodificar as mensagens ocultas, a filosofia e o simbolismo dos animes. Acredito que toda obra tem um código a ser desvendado.

Deixe um comentário